CRENTE, OU CRISTÃO?
Qual das duas palavras define melhor, hoje, o seguidor de Jesus Cristo? Você, pessoalmente, se acha um crente ou um cristão? Ainda, você a c h a que há diferença de conteúdo entre uma e outra palavras ou tal diferença, se existe é, apenas, semântica? Ou, tanto faz? Qual é a importância que tem este assunto para todos nós, membros de uma igreja de Cristo, hoje, em nível de valor real?
Como você sabe há 3 maneiras de vermos a Bíblia como fonte divina: a) Percepção a partir do conteúdo do Antigo Testamento; b) Percepção a partir do conteúdo do Novo Testamento; e, c) Percepção a partir do conteúdo para o tempo “pós – Novo Testamento”, ou seja, o conteúdo da mensagem divina é percebido neste caso somente se tal conteúdo for buscado a partir da destinação da mensagem e da objetividade contida no texto todo, a saber, incluindo o Antigo e o Novo Testamentos! Exemplo: Você lê um texto nos Salmos. Se for o versículo 7 do capítulo 34, não deve ser possível que você veja tal texto do mesmo jeito de quem o escreveu, faltando-lhe tudo que você conhece e sabe que aconteceu e ele, não! Vamos supor que você tivesse que escrever hoje o que ele escreveu, isto é, arrespeito da ação de Deus sobre você e todos os crentes de hoje, você escreveria do mesmo jeito que Davi escreveu? Se você responder sim, então não adiantou nada tudo que foi revelado desde lá! Se você responder não, certamente, terá iniciado uma resposta de acordo com Deus! Ou tudo que Deus revelou de lá para cá não adiantou nada?! Em são juízo e conhecendo a Bíblia, razoavelmente, ninguém pode ignorar este fato! Certo? Os Salmos estão no Antigo Testamento, então, eles, por isso, estão antes do Novo Testamento e antes da conclusão da Revelação Completa que só se deu proximamente ao final do ano 100 da nossa era, ou, só tivemos a Revelação Completa e, portanto, definitiva, na Era pós-Cristã, depois do ano 100, porque a era cristã é o período do Novo Testamento que comportou a presença física de Cristo e na qual Ele foi o foco da Revelação Divina, ao ponto de alterar o que já havia sido revelado e gerar ou criar Revelação que Ele mesmo fez com os órgãos da revelação divina dentro do tempo dEle (dentro do período de 100 anos a partir do Seu nascimento)! Entendeu? Continue…
-Considerações Preliminares. Então, toda vez que você vai ler a Bíblia, ou faz a leitura de qualquer passagem ou texto da Bíblia, mesmo não tendo condições de fazer uma avaliação exegética e/ou hermenêutica, que, é boa, e a maioria não tem condições de fazer, mas, também, que não se afigura essencialmente, como indispensável; algumas coisas, porém, são obrigatórias para o entendimento e o encaminhamento para a compreensão do ensinamento bíblico para nossa vida, como: 1- Se a leitura ou o estudo bíblico for feito no Antigo Testamento este fato não pode deixar de ser considerado na visualização do quê o texto apresenta de conteúdo ou de ensino para uma aplicação atual, nos limites que apresenta! 2- Se a leitura ou o estudo bíblico for feito no Novo Testamento, igualmente, não podemos ignorar ou deixar p´ra lá também a visualização do quê é meta, conteúdo e finalidade do escopo do texto visando a utilidade dele na composição da Revelação de Deus até aquele momento! 3- Agora, veja bem, se você precisa contextualizar, para hoje, qualquer texto do Antigo ou do Novo Testamento, então, o cuidado vem junto com uma visualização do quê o momento que vivemos tem a ver com o enfoque feito ou que está em andamento! Nos três casos ou perspectivas havemos de considerar linhas definidas que nos levem à verdade bíblica! Veja:
No tempo do Antigo Testamento ainda faltava o próprio Antigo Testamento ser terminado e todo o Novo Testamento acontecer para se ter o sentido completo do pensamento de Deus (Revelação!). Então, hoje, quando você se depara com uma passagem velho-testamentária há de justificá-la nos textos que à época faltavam e que são os que já conhecemos hoje, pois, foram escritos posteriormente e estão em nosso poder, certo? Mas, não se esqueça que naquele tempo tal porção bíblica não ficou prejudicada ou não prejudicou o entendimento de seus destinatários imediatos. Como? Ah! Deus usou expedientes suplementares para evitar o prejuízo por falta! Expedientes complementares que, hoje, foram suprimidos, porque se tornaram anacrônicos: Teofanias, dons espirituais, etc. etc. Assim é que era feita a comunicação de Deus com os homens! Deus não falha, Deus é fiel! “Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade.” Hebreus 2:1-4.
Hoje, é feita, tal comunicação, com a i n t e g r a l i d a d e da Palavra de Deus, ou, com a Revelação Completa e Definitiva de Deus, a Bíblia, de acordo com o roteiro bíblico a seguir. Entende? Hebreus 1:1-3; 4:12-13; Romanos 10:17, diz-se que: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas…”
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.”
“Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.”
No período do Novo Testamento, com o Antigo Testamento pronto, finalizado, era diferente, porém, ainda se mostrava uma fase intermediária, isto é, incompleta, mas, não insatisfeita na sua finalidade precípua de Revelação de Deus, porque o complemento foi atendido na medida de não faltar o quê ainda faltava!!! Assim Jesus respondeu a Filipe: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras. Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.” João 14:10-11.
“Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu.” Mateus 3:13-15.
“Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos, ouça.” Mateus 11:13-15.
“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.” Mateus 5:17.
Vamos, então, voltar ao nosso tema: CRENTE, OU CRISTÃO? Para encaminharmos uma reflexão que por ser proveitosa não poderia ser feita sem as considerações até agora apresentadas. Há duas coisas a examinarmos na escolha proposta: 1. A Sua Opinião; e, 2. A Opinião dos Outros. Você precisa estar certo, mesmo que todos os outros estejam errados! Mas, se ocorrer de ambos os lados estarem certos, melhor! Sendo crentes em Cristo como nosso único e suficiente Salvador, certamente, temos a Salvação espiritual trazida do Céu mas que se mostrará integralmente só depois da ressurreição e ou do arrebatamento! Nossa vida autêntica, hoje, é a vida cristã, “…para mim o viver é Cristo…” Fil. 1:21. E é por causa da vida cristã que somos chamados de crentes ou de cristãos e, que, nós mesmos nos chamamos ou nos declaramos assim, dizendo: “Sou crente” ou “Sou cristão”!
De modo geral, no Brasil, as pessoas nos chamam de “crentes”, com conotação religiosa pejorativa ou não! Depende do contexto. Mas, parece-nos que, em face do desprezo a que muitos salvos têm dado a entender suas vidas, é uma tendência constatada, atualmente, que a gente fuja da denominação de “crente” empurrando a nós mesmos para um abismo de desinformação… dizendo, como justificativa, que até os demônios são “crentes”! (Tiago 2:19). A palavra crente etimologicamente é genérica, não é uma palavra específica, portanto, não determina seu significado com identificação! Crente pode ser ou é todo aquele que crê! Inclusive pode ser, o crente, uma pessoa não religiosa…
Porém, socialmente ou historicamente, a coisa muda de figura! O peso que esta palavra (crente) tem, de fato, é muito forte ou muito grande. Resta saber se vamos adotar todas as implicações históricas da palavra ou vamos ficar escondidos no sofisma do significado etimológico! Se alguém, publicamente, no Brasil, gritar a palavra “crente” ou “crentes”, com toda a certeza possível, não estará referindo-se ou sendo entendido na acepção do significado etimológico, como alguém que crê, mas, sim, no significado histórico! Ninguém, em são juízo, vai pensar, ao ouvir, que se trata de alguém que crê, mas, que, certamente, refere-se a alguém que crê em Cristo! Que pertence ou pensam que pertence a um grupo de pessoas, religiosamente, não-católicas, não-espíritas, não-islâmicas, não-judias, etc. Okay?! Biblicamente, temos as duas palavras, “crente” e “cristão”! Quando elas se referem a pessoas que crêem em Cristo apresentam-se de modos diferentes, nas suas origens:
1- CRISTÃO
Em Atos 11:26 é relatado que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez em Antioquia. Pelo conteúdo do texto bíblico duas coisas podem ser aventadas: a) Parece que foram chamados de cristãos pela boca de judeus perseguidores: Numa cidade gentílica e com uma movimentação muito grande de gentios crentes e por se tratar de uma igreja gentílica, também. Atos 13 registra a expansão missionário entre os gentios e por meio dos gentios! Em Atos 15 temos graves problemas causados por judeus crentes dentro da igreja (eles vieram de Jerusalém). Lucas dá simplesmente a informação de como foram os discípulos chamados de cristãos ali pela primeira vez. Este derivado de Cristo, cristão, parece ter um aspecto pejorativo… parece que incrédulos apelidaram os seguidores de Cristo! Não é hábito os crentes darem apelidos a si mesmos. Por exemplo, os batistas são assim denominados por aqueles que queriam ridicularizá-los, só que o tiro saiu pela culatra, uma vez que o nome é lindo e consta na Bíblia, pelo mesmo motivo: O BATISMO! (João, o batista! – João 3:1; 1:28; Marcos 1:4; etc.). O rei Agripa brincou com Paulo sobre a possibilidade dele se tornar um cristão, também! Isto significa que o sentido de serem os discípulos chamados pelos não-crentes de cristãos era realmente invenção dos incrédulos, ser pejorativo, porém, os crentes não se ofendiam, porque no diálogo com o rei Paulo concordou que todos se convertessem como ele, podendo ser salvos por Cristo! (Atos 26:28-29). Portanto, com o ou sem um sentido pejorativo, ser chamados de cristãos trouxe um estigma que ainda piorou com o nascimento da Igreja Católica, Apostólica, Romana, adotando o mesmo adjetivo de fé, sendo seus adeptos chamados cristãos! Não são uma boa companhia no nosso relacionamento com Cristo… pois, os católicos, enquanto religiosos do Cristianismo, têm a mesma situação dos judeus em termos de vida eterna e vida cristã: “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.” Romanos 10:1-3. Não podemos proibir a ninguém de nos chamarem de cristãos, mas podemos rejeitar a idéia de nos chamarmos a nós mesmos de cristãos, se tivermos outro adjetivo melhor! E, temos.
2- CRENTE
Em João 20:27 é relatado que Jesus chamou um de seus apóstolos de crente como qualidade genuína do seguidor de Jesus Cristo. Então, foi o Salvador que chamou o salvo de crente. “Depois disse a Tomé: Chega aqui o seu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas CRENTE.” Então, reconhecemos, assim, que a idéia identificadora dos seguidores de Jesus Cristo, na vida cristã, segundo Ele próprio, é crentes! Se nós já somos reconhecidos como seguidores de Jesus pelo público alvo da evangelização e por nossos pares, não é difícil preferirmos e usarmos assim o título que o nosso Salvador deu aos nossos antepassados e por extensão a todos nós, também! Outro fator que corrobora esta postura que defendemos é que a palavra crente ou crentes está relacionada, historicamente, com a fé, com o verbo crer, portanto, com aquilo que nos insere no contexto da nova vida cristã derivada da Salvação que Cristo oferece. “Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos a cerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos.” Judas 1:3.
A palavra crente ou crentes ainda tem outro senão que não pode ser deixado de lado. Pelo surgimento dos crentes de comportamento duvidoso e enfáticos em supostos efeitos da fé com sinais de fanatismo e ou sensacionalismo identificado com o movimento pentecostal da Rua Zuza, em Los Angeles, nos Estados Unidos, que logo chegou ao Brasil, por volta do início do século XX, a maioria dos crentes, a partir daí, aqui, foi reputada, por uma parte da sociedade, como pessoas carentes de inteligência, sem conhecimento suficiente e precários de entendimento, privados de qualidade de vida por serem das camadas mais pobres do Brasil e em grande número! Essa associação infeliz teve como conseqüência a desqualificação da verdade bíblica entre os evangélicos diante da Religião Oficial do Brasil à época, a Igreja Católica Apostólica Romana, e dominante, também!
Hoje, o termo crente, está diluído entre outros mais recentes, porém, sem significação tão acentuada mas que deturpam o sentido bíblico que a palavra crente tem e é garantido pela Bíblia para nossa vida cristã! Não devemos nos intimidar diante desta realidade confusa, porque a luz do mundo é a nossa luz e a nossa luz é Jesus Cristo (João 8:12; Mateus 5:14-16). Parece-me que a palavra crente em vez da palavra cristão tem um sentido mais íntimo e afinado com os propósitos da nossa fé e com a vida de Cristo em nós! Podem me chamar de crente ou de cristão, mas, eu mesmo me considero um crente!
Sou crente, como disse Jesus a Tomé:
“…não mais sejas incrédulo, MAS CRENTE.”
C A D A D I A, M A I S C R E N T E !
Pastor Gilson
Primeira Igreja Batista Holística em Vila Formosa